Sabe o que já está sendo usado em tratamentos de queimaduras e pesquisas de pele articicial? Babosa! A Aloe vera se mostrou muito eficiente para a recuperação de tecidos dos pacientes em tratamentos dermatológicos. Assista o vídeo, ou leia a transcrição abaixo, para saber mais sobre estas pesquisas.
Pele artificial: Babosa (Aloe vera) na regeneração de tecidos
As queimaduras representam uma das maiores agressões ao corpo humano. Nos casos mais críticos, a pele perde a capacidade de se regenerar sozinha. O Hospital Infantil Joana de Gusmão, que recebe pacientes de até 15 anos em Florianópolis, é o único que possui um Centro de Tratamento Especializado, referência para Santa Catarina.
A Unidade de Queimados atende cerca de 15 pacientes por mês, dos casos mais graves.
Algum tipo de material para ajudar na Regeneração dos tecidos na UFSC Laboratórios desenvolvem uma espécie de pele artificial na busca por um substituto ideal da pele humana. Uma microfibra resistente antiaderente capaz de criar um ambiente aconchegante para células crescerem: é a Nanocelulose Bacteriana. Esse material já é vendido no mercado mas o InteLAB (Laboratório de tecnologias Integradas da UFSC) adicionou um componente extra o Aloe Vera extraído da babosa. A junção potencializa a cicatrização das lesões.
Ela é menos agressiva para pele do que o biomaterial que a gente usou para segurar ela na pele. O biomaterial foi mais alergênico do que a celulose.
– Julia de Vasconcellos Castro | Pesquisadora – InteLABA idéia de associar a Aloe Vera fez com que a gente vinculasse essas propriedades cicatrização já o material que é utilizado para regeneração da pele de queimados.
– Fernanda Vieira Berti | Gestora de pesquisa e ensino – Intelab
Os biomateriais como a Nanocelulose bacteriana diminuem a dor do paciente, evitam inflamações, melhoram a aparência da cicatriz e aceleram a recuperação.
Tratamento de queimaduras com Aloe Vera (Babosa)

Queimaduras de primeiro e segundo grau são tratadas em nível ambulatorial, ou seja, com curativos mais simples. Já nos casos de terceiro e quarto grau, a pele não se regenera sozinha, precisando de cirurgia. Nessa situação a primeira camada da pele: Epiderme, e a segunda: Derme, são afetadas.
O tecido queimado de terceiro grau tem que ser removido – por que é uma fonte de resposta inflamatória, uma fonte de infecção – e após a remoção desse tecido queimado ele tem que ser coberto. Hoje em dia nós já temos as matrizes dérmicas, que a gente utiliza aqui no hospital, e este outro exemplo que é a matriz bacteriana que pode funcionar como um molde para a regeneração de derme.
– Maurício Pereima | Chefe da Unidade de Queimados – Hospital Joana de GusmãoUm grande desafio é tornar esse material um substituto da pele natural, de forma que ele possa ser implantado de forma permanente.
– Luismar Marques Porto | Supervisor – InteLAB
A busca pelo substituto ideal, que seja capaz de reparar as duas camadas da pele motivou outros laboratórios da universidade. Pensando em unir a matriz dérmica com as células-tronco, para promover uma cicatrização mais rápida e efetiva da pele, é que o LACERT desenvolver uma pesquisa na área.
Nós avaliamos primeiramente a biocompatibilidade: se essas células-tronco elas eram capazes de sobreviver nessa matriz, de crescer e de ser cultivada. Então nós provamos que as células realmente podem ser associadas à essa matriz. Como resultado os pacientes tiveram um fechamento mais rápido da lesão (cerca de dois dias) e a cicatriz se formou em uma qualidade melhor. O processo de regeneração é mais difícil mas um reparo mais efetivo já é um resultado bem positivo na nossa pesquisa.
– Talita Jeremias | Doutora em Genética
Outro ponto positivo é para os hospitais, isso representaria um tempo menor de internação.
O paciente poderia ir para casa muito mais cedo, mais rápido, teria uma cicatriz melhor e o SUS economizaria bastante, porque cada dia que se reduz na internação representa uma economia muito grande. Então é um conjunto de benefícios, para o paciente e para o Sistema Único de Saúde.
– Andréa Trentin | Coordenadora – LACERT
Tanto a celulose bacteriana do InteLAB, quanto a matriz de regeneração utilizada pelo LACERT, fazem parte da área de Engenharia Tecidual.
Ela permite que você veja biologia aplicada como sendo um instrumento de criação de novos produtos e novos processos, trazendo para o desenvolvimento da biotecnologia conceitos de engenharia.
– Luismar Marques Porto | Supervisor – InteLab
Considerações finais
É um estudo que leva tempo, trabalho em grupo e investimentos
“O resultado dessa pesquisa é a melhoria da qualidade de saúde da população.” – Maurício Pereima
Apesar das contribuições para a comunidade ainda existem obstáculos no desenvolvimento das pesquisas.
“Já existe toda uma regulamentação para isso, que existem condições de laboratório muito bem rígidas, então faltaria basicamente recursos financeiros.” – Andréa Trentin
No InteLAB as pesquisas já geraram 7 artigos publicados, 6 trabalhos de conclusão de curso, 7 dissertações de mestrado e 2 teses de doutorado. Já no LACERT foram publicados 5 artigos, 5 trabalhos de conclusão de curso, 3 dissertações de mestrado e 1 tese de doutorado. Outros estão em andamento.
“O resultado tem sido muito animador eu acredito que nós vamos estar dentro do grupo que nos próximos 10 anos estará desenvolvendo a pele artificial aqui na Universidade Federal de Santa Catarina.” – Maurício Pereima
“O processo de desenvolvimento de um produto biotecnológico ou biomédico é longo. A importância se dá na medida em que a gente consiga com sucesso transferir essas tecnologias, para a produção desses materiais em uma escala grande, que possa diminuir os custos de produção, para que o grande público possa ter acesso.” – Luismar Marques Porto
Ficha técnica do vídeo
Roteiro e apresentação: Lucas Krupacz
Imagens: Jonatan dos Santos e Paula Barbabela
Edição: Jonatan dos Santos
Produção: Laura Tuyama
Consultoria – Jornalismo científico: Tattiana Teixeira
Design gráfico: Andrei Krepsky de Melo
Diretor TV UFSC: Felipe Jaino Laval Daniel
Vice-reitora UFSC: Alacoque Lorenzini Erdmann
Reitor UFSC: Luiz Carlos Cancellier de Olivo
© 2016 TV UFSC
Links para os Laboratórios
Laboratório de Tecnologias Integradas (INTELAB) – www.intelab.ufsc.br
Laboratório de Células-Tronco e Regeneração Tecidual (LACERT) – lacert.ufsc.br